O problema do Santander não é o conteúdo da exposição, mas a posição política que ele tomou

Modo Noturno

A polêmica do dia parece girar em torno da exposição “Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, em exibição no Santander Cultural, espaço mantido pelo banco em Porto Alegre. Segundo o site oficial, a mostra “explora a diversidade de expressão de gênero e a diferença na arte e na cultura em períodos diversos”, porém foi o uso de imagens infantis acompanhadas de palavras de cunho sexual, além de trabalhos usando símbolos cristãos que causou revolta entre conservadores nas redes sociais.

Os críticos acusam o banco de promover a sexualização de menores, a zoofilia e a blasfêmia, logo você sabe no que deu – puxaram hashtags, ameaçaram fechar contas no banco e políticos aproveitaram a situação para prometer ação. O problema disso tudo é… qual o problema?

O Loly foi fundado e formado com uma única diretriz imutável – a defesa da liberdade de expressão, seja ela qual for. Acreditamos nisso por que sentimos todo dia na pele a censura que a hegemonia cultural de esquerda tenta promover em cima daquilo que considera “problemático”. Arte é arte, liberdade de expressão é liberdade de expressão, ela cobre tanto aqueles reclamando contra a exposição, como a mostra em si.

Promover o fechamento ou censura da exposição é errado. As obras podem ser de péssimo gosto e qualidade, mas elas possuem o direito de existir e serem expostas. Não podemos nos colocar em posição de julgar que expressão artística é digna de existir ou não, não importa o conteúdo. Dá muito bem pra criticar e considerar algo “problemático” sem causar histerismo e pedidos de censura da obra.

Agora, aí é que entra o outro ponto. Censurar é errado, mas cobrar explicações do Santander sobre as razões por trás de dar espaço e promover a exposição é outra. O release no site oficial do Santander Cultural é cheio de buzzwords progressistas e uma sinalização de virtude quase irritante.

Queermuseu é um ‘museu provisório’, ficcional e metafórico, onde a inclusão é exercida para além de parâmetros restritivos, excludentes e discricionários. Para Marcos Madureira, vice-presidente executivo de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Santander, “a Diversidade é um valor para o nosso negócio. Acreditamos que o capital humano é o que torna uma organização diversa, com maior probabilidade de inovação e maior chance de se diferenciar no mercado”.

O grande problema está aqui. Não é a arte, é a hegemonia cultural que leva um banco internacional, com milhões de clientes, a associar diretamente seu nome a uma exposição com temas tão extremos. A culpa é do culto à diversidade – notem como o release escreve diversidade com D maiúsculo na fala do seu Marquinhos do marketing – e o cavalo de Troia político que ele realmente é. A revolta deve ser direcionada ao banco, não à arte. É preciso mostrar que associar sua marca à ideologia de gênero pode pegar bem com os descoladinhos de agência de publicidade e imprensa, mas que no mundo real as pessoas possuem outros valores. Provem que mentiram para a o marketing do Santander sobre o que a sociedade no geral realmente acredita.

O problema não é promover o conteúdo artístico, é a clara posição política que o banco tomou ao apoiar a iniciativa.

Prove que os seus valores são melhores, inclusive por não querer dar uma de autoritário e ditar o que artistas podem ou não expressar. A exposição tem todo o direito de existir nos “Espaço Cultural Maconha e Cu” da vida, mas quando uma marca que se vende para todos se associa a valores que somente uma parcela da população carrega, é preciso cobrá-los. Só assim se vence a guerra cultural – com voz alta e atitudes corretas.

Afinal, censura é coisa de arrombado do caralho.

Complexo
Criador do Loly.