Trump une seu estilo de sempre a pegada neocon em anúncio de nova estratégia para o Afeganistão

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Quando foi anunciada a saída de Steve Bannon do cargo de estrategista chefe da Casa Branca, eu escrevi que aquilo poderia sinalizar um novo recomeço para a presidência Trump. Dois dias depois, nós tivemos uma palhinha do novo tom do governo, quando o presidente anunciou em discurso a tropas a nova estratégia do país no Afeganistão, país ocupado pelos americanos desde 2001.

Apesar de não dar detalhes, e ter destacado bem isso, no melhor estilo Trump, o número de tropas no país árabe deve aumentar enquanto o exército intensifica a guerra contra o Talibã e o ISIS. Mas o mais revelador foi o tom do discurso. Consciente de que a decisão contradiz uma de suas maiores bandeiras de campanha – o fim de campanhas militares desnecessárias no exterior – Trump não fugiu da questão, destacando que antes, sim, o o seu instinto era sair do Afeganistão, mas que a sua visão e decisões mudaram  desde que assumiu o Salão Oval.

Muitos acusam o presidente de capitular aos interesses neocons, mas o que eu vi no discurso foi um sinal de maturidade no cargo. Pouco a pouco, Trump vai aprendendo a adaptar a sua visão de mundo à realidade política da presidência, sem abrir mão de seus métodos e convicções. Ele ressaltou que os EUA não vão mais “construir nações” à sua imagem e que os afegãos precisam traçar o próprio destino. O objetivo da nova investida no país é simples – matar terroristas.

Sim, Trump disse “matar terroristas” com todas as letras, logo depois de chama-los de “bandidos, criminosos, predadores e, acima de tudo, perdedores”. Além disso, outros elementos da plataforma clássica do presidente estiveram presentes no discurso – “os EUA não podem lutar sozinhos”, “nossos aliados precisam contribuir mais financeiramente” e “não vamos avisar quando vamos atacar ou parar de atacar”. É o mesmo Trump de sempre, munido de uma visão detalhada e madura da situação geopolítica do mundo. Uma maior pressão no Afeganistão ajudará a conter a expansão do ISIS e outros grupos terroristas, evitando a criação de um vácuo de poder como o que deu origem à organização, durante a gestão Obama.

Mas foda-se isso, as prioridades de Trump são duas: matar terroristas e mascar chiclete. E já acabou o chiclete.

Complexo
Criador do Loly.