Steve Bannon prepara o Breitbart para a guerra

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A volta de Steve Bannon ao comando do Breitbart parece ter trazido novo ânimo e resolução ao site, que após um primeiro semestre marcado por queda de audiência e fuga de anunciantes, parece finalmente pronto para voltar à forma de antigamente. E nada melhor para isso do que contar com a volta de um de seus mais ilustres colaboradores.

Não, não é o Milo ainda. Falo de John Nolte, um dos membros originais do site, tendo trabalhado diretamente com Andrew Breitbart em sua criação. Especializado em mídia, Hollywood e a interseção da cultura com a política, Nolte retorna à antiga casa mais de um ano após a sua saída, ainda em meio à polêmica envolvendo a repórter Michelle Fields, que acusou o então coordenador de campanha de Trump, Corey Lewandowski, de agredi-la durante um evento.

O acontecimento gerou um racha na equipe do site e resultou na saída de muitos contribuintes, incluindo o ilustre Ben Shapiro, que até hoje mantém uma rixa com Milo Yiannopoulos, que deixaria o site um ano depois devido a polêmicas declarações sobre relações amorosas com menores de idade. Entre a leva que saiu, estava John Nolte, que logo encontrou refúgio no The Daily Wire, junto de Shapiro. A mudança, no entanto, não mudou o estilo do escritor, que continuou defendendo Trump e seus ex-colegas de trabalho.

John Nolte.

Hoje, em nota no site, Nolte agradeceu a oportunidade e ressaltou a amizade e tolerância exercidas por Shapiro e outros membros da equipe, por terem aturado uma voz tão dissidente em seu batalhão. Entre as razões para voltar ao Breitbart, Nolte citou a longa história com o site, onde foi o segundo contratado, e a proximidade ideológica com a antiga casa.

Uma razão, no entanto, parece ser óbvia: a volta de Steve Bannon. No post que anuncia o retorno do ex-contribuidor, Bannon diz sobre Nolte: “Progressistas têm medo de John Nolte por que ele destrói as mentiras da esquerda. Ele é um guerreiro, e chegou a hora de guerreiros se unirem para lutar.” A pequena frase não poderia ser mais óbvia.

Bannon parece motivado em reerguer o Breitbart, agora seu único veículo de agência política. Seja seu objetivo atrapalhar a vida do presidente ou daqueles que, acredita, obstruem seu caminho, só o tempo dirá. Mas é fato que Bannon em seu habitat natural é muito mais efetivo do que preso às regras invisíveis da Casa Branca.

Há um sentimento comum na mídia pró-Trump de que a saída de Bannon significa uma quebra do presidente com sua mensagem populista original, uma capitulação às forças neoconservadoras do establishment republicano. Seja isso culpa pessoal de Trump ou de seus aliados mais próximos, não importa. O populismo perdeu seu principal púlpito e agora terá que retornar à mídia para permanecer vivo.

E o populismo precisa do Breitbart, tanto quanto vice-versa. Como disse Bannon – “(…) chegou a hora de guerreiros se unirem para lutar”. Só esta saber: lutar contra o quê ou quem?

Complexo
Criador do Loly.