Depois de 30 anos, hotel de luxo norte-coreano deve ser inaugurado

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Em 1987, durante a Guerra Fria, a Coreia do Norte iniciou a construção de um arranha-céu de 330 metros. O objetivo era entrar na disputa de erguer o hotel mais alto do mundo, em uma resposta à empresa sul-coreana SsangYong Group, que havia acabado de inaugurar um enorme edifício em Singapura.

Os planos eram bastante otimistas. Os líderes norte-coreanos viram a obra como uma oportunidade de atrair investimentos de empresários do ocidente. Especularam que seria possível arrecadar mais de 200 milhões de dólares por meio de contratos de operação de casinos e boates com investidores internacionais.

Foi nesse clima de euforia que iniciou-se a construção do Ryugyong Hotel, de 330 metros e 105 andares. A expectativa era de que o hotel fosse inaugurado até junho de 1989. Caso isso tivesse acontecido, os norte-coreanos teriam superado seus rivais ao sul e teriam erguido o maior hotel do mundo e o sétimo maior edifício do planeta. Contudo, não foi isso que se sucedeu.

Por causa de problemas estruturais e pela falta de interesse de investidores internacionais, as obras foram sendo adiadas cada vez mais. O cenário ficou ainda pior em 1992, quando as obras tiveram de ser suspensas provisoriamente logo depois do prédio ter atingido sua altura máxima. Com o colapso do bloco soviético, a Coreia do Norte viu-se obrigada a enfrentar uma das suas mais profundas crises. Até então, haviam sido gastos 750 milhões de dólares (2% de todo o PIB do país na época).

Anos se passaram, e o Ryugyong Hotel foi ganhando fama por ser o edifício desocupado mais alto do planeta. Até que em 2008, depois de 16 anos, uma empresa egípcia retomou as obras, com um investimento de 400 milhões de dólares. Com isso, autoridades norte-coreanas prometeram que o prédio estaria pronto até 2012. 2013 chegou, e os planos de abrir o hotel foram suspensos.

Eis que em agosto de 2017, o Ryugyong Hotel mostra fortes indícios de que sua inauguração não está tão distante, fazendo com que surjam inúmeros artigos sobre o edifício em sites que cobrem notícias asiáticas. Os muros que ficavam em torno do canteiro de obras do hotel foram derrubados, e adornaram o hotel com uma grande placa com os dizeres ”A Nação dos Poderosos Mísseis”. Além disso, os norte-coreanos aparentam ter começado a testar o sistema de iluminação do hotel há poucos meses.

Faria sentido pensar que falta pouco para que turistas possam se hospedar no hotel futurista. Afinal, esses indícios coincidem cronologicamente com os recentes investimentos pesados em infraestrutura promovidos por Kim Jong-Un, que abriu um condomínio de arranha-céus na rua Ryomyong em abril.