As mentiras e verdades da coletiva de imprensa de Trump sobre os acontecimentos de Charlottesville

Modo Noturno

Em uma combativa coletiva de imprensa na tarde desta terça, o Presidente Donald Trump entrou em mais uma batalha de gritos com repórteres que acham que jornalismo é levantar o volume da voz e falar por cima da pessoa que você deveria estar entrevistando. Trump voltou a condenar o teor nacionalista branco dos atos em Charlottesville durante o fim de semana, mas não pôs o rabo entre as pernas.

Injustamente acusado de não “condenar nominalmente” a alt-right, Trump nomeou o Antifa e suas líderes de torcida na imprensa mainstream como a “alt-left”, deixando claro que eles também marcharam nas ruas munidos de paus e armas, buscando o conflito.

E a alt-left que também chegou atacando como a alt-right, como você chama? Eles possuem alguma parcela de culpa? Deixe eu te fazer uma pergunta – e o fato deles chegarem correndo com pedaços de pau na mão, soltando golpes, há algum problema com eles? Eu acho que sim. Por mim, foi um dia horrível, muito horrível.

Após a coletiva, a mídia não esperou para acusar Trump de se contradizer em relação ao discurso da segunda-feira, quando ele condenou veementemente os movimentos supremacistas brancos envolvidos na confusão. Na verdade, ele condenou diretamente o motorista do carro que atropelou o grupo de manifestantes, resultando na morte de uma mulher. Com palavras fortes, Trump disse que o agressor era “uma desgraça para ele mesmo, sua família e seu país”, antes de concluir “ele é definitivamente um assassino”.  Depois, apenas destacou que havia pessoas marchando em Charlottesville que não compartilham dos mesmos ideais dos líderes da alt-right e estavam lá somente pra protestar a remoção da estátua do general confederado Robert E. Lee. A afirmação veio enquanto o presidente comentava a remoção a força de um monumento confederado em Durham, Carolina do Norte, na tarde de segunda.

Será George Washington semana que vem ou Thomas Jefferson? Você deve se perguntar quando isso acabará. George Washington era senhor de escravos. Então George Washington perderá o seu status? E Thomas Jefferson? O que você acha de Thomas Jefferson? Você gosta dele? Por que ele era dono de escravos. Nós vamos derrubar a sua estátua? Então tudo bem. Você está alterando a história, alterando a cultura e eu não estou falando dos neo-nacionalistas ou neonazistas por que eles devem ser totalmente condenados. Mas havia pessoas naquele grupo que não eram neonazistas, não eram nacionalistas brancos, ok? E a imprensa tem sido absolutamente injusta com eles.

Adivinha qual das duas declarações está sendo replicada em milhares de sites, canais de TV e feeds de Twitter enquanto eu digito essa frase?

É claro que para a Esquerda – e em extensão a sua assessoria de imprensa – não condenar o outro lado, e SOMENTE o outro lado, é ser um inimigo. Ou você está com eles ou está contra eles. Enquanto eles querem pintar um embate entre o absoluto bem e o mal, se esquecem que no meio há pessoas normais que ainda não sacrificaram a sua alma no altar da pureza ideológica, seja lá de qual lado ela for.

Trump não baixa a cabeça e faz o que a imprensa quer que ele faça – condenar nominalmente os seus alvos desejados -, por que ele entende que é uma disputa de poder. Se ele cede, estará no bolso dos engomadinhos de redação para sempre. Ele sabe que não importa o quanto abane o rabo, no fim do dia ele será pintado como o vilão, como “literalmente Hitler”. Ao se negar a jogar o joguinho ele não está defendendo neonazistas, ele está expondo o abismo de ativismo político que se tornou a imprensa mainstream, com seus agentes partidários empunhando microfones, anotando respostas em uma mão e trocando emails com o comando do Partido Democrata na outra.

O Trump desafiador é um bom Trump, por mais que doa as nossas sensibilidades acostumadas com a monotonia de estadistas convencionais. Os conservadores americanos tentaram com o carisma de George W. Bush, tentaram com a subserviência de John McCain e com o estilo comportadinho de Mitt Romney e o fim sempre foi o mesmo. No fim, o republicano com chance de real de chegar ao poder sempre será o vilão, o “Sr. Misógino Hitler da Silva Islamofóbico”. O jeito foi trazer a bola de demolição pra botar pra fuder essa porra toda.

Uma bola de demolição dourada com um enorme T no meio.

Complexo
Criador do Loly.