A Nintendo pode quebrar a sua promessa ao congresso americano e lançar Night Trap no Switch?

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No último dia 11 de agosto, a Screaming Villains, responsável pela versão remasterizada de Night Trap, declarou em seu Twitter oficial que o jogo não teria como sair para o Switch pois a Nintendo havia negado o pedido, durante conversa com o fundador da publisher Nicalis, Tyrone Rodriguez.

O episódio fez reacender a memória de um dos momentos mais polêmicos da história da indústria. Em 1993, o congresso americano realizou audiências para tratar sobre o problema da crescente violência nos games – um meio de comunicação que eles pensavam ser direcionado para crianças.

O propositor do processo foi o senador democrata Joseph Lieberman e um dos jogos que ajudou a levantar a questão foi justamente Night Trap. Executivos das principais empresas de games foram chamados para depor, incluindo Howard Lincoln, na época o vice-presidente da Nintendo of America.

Ao ser questionado sobre Night Trap, Howard aproveitou a deixa para dar uma de bonito e ainda queimar a concorrente Sega, prometendo aos senadores que o jogo jamais seria lançado numa plataforma da Nintendo. Jamais.

O acontecimento levou à criação da ESRB e um sistema unificado de classificação de games. Era o jeito da indústria se auto-regular, para manter o governo de fora.

Voltamos para 2017, 24 anos depois, e fãs clamam pelo lançamento de Night Trap no Switch. No entanto, a Nintendo não cede. Seria a promessa de Howard a razão?

Sejamos honestos, o que aconteceu naquela época não importa mais. A indústria se auto-regulou, cresceu, seu público consumidor se tornou majoritariamente adulto e a Nintendo passou de não permitir sangue na versão do Super Nintendo de Mortal Kombat a praticamente liberar geral.

Uma decisão do falecido juiz da suprema corte americana Antonin Scalia em 2011 sacramentou games sob proteção da primeira emenda da constituição americana, garantindo que o governo não tem o direito de fazer julgamentos morais e estéticos sobre o seu conteúdo, efetivamente esmagando qualquer tentativa de censura do meio.

E Night Trap, para os padrões de hoje, se tornou algo risível. É difícil imaginar que algo tão leve ajudou a criar todo esse rebuliço. Por que, então, a Nintendo não poderia abrir uma exceção e compor o acervo do Switch com um jogo de apelo nostálgico para gamers adultos?

A promessa de Howard Lincoln não tem validade legal, foi apenas isso… uma promessa. E feita de má fé ainda, com o claro intuito de queimar a imagem de um concorrente. Se existe uma empresa que seria capaz de se ater a algo assim, com certeza é a Nintendo. Mas isso é realmente necessário?

Claro, Night Trap no Switch não seria nenhum sucesso avassalador, mas seria uma adição bem-vinda, algo que impediria os donos do console de terem que passar tempo em seus PS4, Xbox One e PC para joga-lo. Basta ver as replies ao tweet da Screaming Villains para notar que a demanda existe.

O ato também poderia ser considerado simbólico. A quebra da promessa não seria um baque à imagem e credibilidade da Nintendo, seria o símbolo do fim de um capítulo na história da indústria de games, além de um claro recado ao mercado – o Switch é um console para todos, de crianças a adultos.

Com o incrível momento que vive o novo console da Nintendo, ser associado com censura besta seria um ponto negativo, talvez afastando consumidores que consideram pegar o Switch, mas que buscam primariam um conteúdo mais adulto. A Nintendo tem feito um excelente trabalho de marketing, mas ainda tem muito chão para quebrar a sua imagem de uma empresa infantil.

Em resposta à Screaming Villains no Twitter, Tyrone Rodriguez da Nicalis pediu para eles entrssem em contato, deixando entendido que ele mesmo interveria com a Nintendo – com quem possui uma ótima relação de mais de 10 anos, segundo suas palavras – para tentar reverter a decisão.

Quem sabe essa história ainda não termina com uma reviravolta? Será que a Nintendo manterá a sua promessa ou fechará de vez essa página? Só o tempo dirá.

Complexo
Criador do Loly.