O que está errado na educação brasileira?

Modo Noturno

Não é novidade pra ninguém que o sistema educacional fundamental e médio do nosso país é completamente tendencioso. E não é a toa. Uma análise das raízes desse problema nos levam até o meio acadêmico superior. Muitas das faculdades que formam os tutores das crianças e jovens brasileiros – que futuramente serão nossos líderes políticos, generais e negociantes – são verdadeiros antros de marxismo. Lixões decadentes, que aparentemente mais servem para punhetar incansavelmente ideias de esquerda do que para de fato ensinar alguma coisa.

Este slideshow necessita de JavaScript.

É mais do que óbvio que uma metologia de ensino coordenada e efetuada por pessoas que conseguiram seus diplomas em lugares assim não presta. Ela gira em torno de progressismo, luta de classes e da abolição da ideia de nação. No terceiro ano do meu Ensino Médio, estudei sobre questões de gênero (com dados completamente mentirosos e superficiais sobre uma suposta desigualdade salarial entre homens e mulheres), os pilares da filosofia de Karl Marx, a tirania do regime militar e sobre como a igreja é má, cruel, corrupta e desonesta. Dos autores com quem tive contato nas minhas aulas de filosofia e sociologia, muitos são marxistas. E isso não nos é dito durante as aulas. Apresentam seus ideais como se fossem consenso, da maneira mais sutil. Um deles, Benedict Enderson, diz que qualquer tipo de identidade é nocivo. Que a ideia de pátria é algo imaginado, fictício (pensamento compartilhado por Marx, que dizia que a revolução proletária só seria possível com o fim de laços comunitários religiosos, familiares e nacionais).

Enfiam tudo isso na cabeça dos jovens, de maneira desonesta, em um plano diabólico de destruição de todos os nossos valores, de tudo aquilo que nos foi legado pelos nossos antepassados e que nos faz sermos uma nação.

Alguns parlamentares (bem-intencionados, por sinal) elaboram leis e medidas em uma tentativa de combater tudo isso. É o caso da proposta de lei do Escola Sem Partido. No entanto, nenhuma delas até agora ‘’corta o mal pela raíz.’’ Elas são rasas. E isso se deve ao fato de que os professores têm uma forte justificativa para destilar conteúdo subversivo em sala de aula: os vestibulares.

Nenhuma das propostas de lei sugere uma modificação profunda no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Elas simplesmente exigem uma mudança na postura dos professores em sala de aula. Muitas vezes, durante meu Ensino Médio, ouvi professores se justificarem, ao serem questionados do porquê de aprendermos tanto sobre visões de esquerda, com o argumento de que estão apenas preparando seus alunos para o vestibular. E eles não estão mentindo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

O ENEM deixou de ser uma prova conteudista e tornou-se um aparelho de conscientização e veiculação de ideologias. Ele viabiliza a doutrinação, mascarada de estudos preparatórios para o vestibular. Os alunos conquistam o diploma do ensino médio e ingressam em uma faculdade compreendendo qual é a ideologia das questões do ENEM. Tudo que os estudantes precisam entender é que as alternativas certas jamais vão ter tom “intolerante” e sempre terão teor progressista, condenando o capitalismo, defendendo minorias ou demonizando o patriotismo. Compreendendo isso, qualquer um consegue acertar muitas das questões de Ciências Humanas, mesmo sem ter tido uma única aula de Geografia, História, Filosofia ou Sociologia na vida. E isso não é nada justo. Um exame que pode te deixar de fora de uma faculdade por conta de uma única questão não deveria ser fundamentado dessa forma.

A fragilidade conteudista no ENEM (e nos vestibulares em geral) é nociva. Deixaram de ensinar conteúdos básicos. No meu Ensino Médio, eu não aprendi praticamente nada sobre geografia brasileira nas aulas de Geografia do Brasil. O professor encarregado de nos guiar nessa matéria nunca se preocupou em ensinar a localização dos estados e das capitais. Meus colegas completaram a maioridade sem saber se o Alagoas é um estado ou uma cidade. Isso não é cobrado no vestibular. No entanto, a maior parte deles fez questão de memorizar os conceitos de orientação sexual, sexualidade e gênero apresentados nas aulas de Sociologia.