“Jornalistas” de games se unem contra o filme de Jogador Nº1 e você já sabe por quê

Modo Noturno

Se você ainda não leu Jogador Nº 1 (Ready Player One) de Ernest Cline, eu te recomendo a fazê-lo o mais rápido possível. Basta dizer que o livro me fez manter uma sessão de leitura de mais de 14 horas ininterruptas na sua reta final. Sim, é tão bom assim.

O livro usa a cultura pop dos anos 80 sobre uma trama refinada de ficção científica e suspense, sabendo usar a nostalgia sem explorá-la (além de conter uma das melhores descrições dos benefícios da masturbação que eu já li). Na era dos títulos e imagens reconhecíveis como estrelas, Jogador Nº 1 soube usar os ícones do passado com respeito e elegância, ao invés de como meras muletas.

E a adaptação para o cinema dirigida por ninguém menos que Steven Spielberg vem parecendo tão fantástica quanto, com o trailer recentemente divulgado na San Diego Comic-Con trazendo os melhores visuais do lendário diretor em quase duas décadas. É um belo caso de círculo de inspiração, com o trabalho de Spielberg inspirando Ernest Cline a escrever a obra, que por sua vez conquistou a imaginação do diretor. Uma celebração de tudo aquilo que crescemos amando.

Mas é claro, onde há alegria e diversão de qualquer tipo, eles aparecem. Os ideólogos frustrados travestidos de jornalistas de cultura pop. E o filme de Jogador Nº 1 virou mais um alvo de indignação social. Nomes como Will Partin, que escreve sobre games para a Rolling Stone, The Atlantic e VICE (uau, é como a santíssima trindade do histeria retardada), lideraram um movimento de críticas nas redes sociais e sites de extrema-esquerda ao trabalho de Cline, citando-o como “machocêntrico” e até transfóbico, como acusou a “vítima” do Gamergate que virou candidata ao congresso americano Brianna Wu, citando uma passagem do livro fora de contexto.

“Enquanto estão criticando Ernest Cline? Em ‘Jogador Nº1’, ele mostra que não acredita que mulheres transgênero são mulheres”, escreveu Wu.

Foi um exemplo após o outro, todos vindo de jornalistinhas com conta verificada no Twitter. Escritores que mais uma vez botam a ideologia da justiça social acima daquilo que deveria ser o seu principal interesse – games e cultura pop. Mais uma prova das farsas que tomaram conta da imprensa especializada, farsas essas que querem ditar, baseado na sua visão de mundo autoritária e arbitrária, o que você pode ou não jogar e que filmes você está permitido curtir ou não.

“Eu não li Jogador Nº 1, mas me parece que é como seria um romance da Loot Crate”, disse o freelancer Kirk McKeand, em referência à caixinha mensal por assinatura que vem com uma série sortida de goodies nerds, em outro tweet adicionando que só isso é o necessário pra agradar os fanboys. Bom, pelo menos ele admite que nunca leu o livro.

Não importa se um livro é uma obra-prima moderna da cultura pop, se ele não se ateve religiosamente à cartilha, ele será criticado e queimado. Seja bem-vindo ao admirável mundo novo do retardo emocional, comandado por meia dúzia de babacóides elitistas que se levam a sério demais.