Crítico do USA Today reclama da falta de mulheres e negros em Dunkirk

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Às vezes é difícil passar um dia sem lacrar, como o crítico Brian Truitt, do USA Today, deve bem saber. Ele poderia ter passado a sua pequena review de menos de 500 palavras de Dunkirk, novo filme de Christopher Nolan, sem mencionar diversidade, representatividade e outras buzzwords que tomaram conta da mídia e Hollywood, mas às vezes é simplesmente impossível.

É no parágrafo final, depois de ter explicado ponto a ponto por que o filme é bom (ele deu nota 3.5/4 estrelas), que Brian não se contém e solta uma desconexa e desnecessária menção à composição de gênero e raça do elenco do filme baseado numa história real da 2ª Guerra Mundial, por que afinal, mesmo quando paramos para refletir sobre o maior drama da humanidade no século XX, não é hora de esquecer a cartilha da justiça social.

“O trio de linhas temporais pode ser difícil de entender, e o fato do filme só ter umas duas mulheres e nenhum ator de cor em papel protagonista pode incomodar algumas pessoas(…)”

Um pequeno trigger warning para aquelas pessoas que não aguentam passar duas horas sem ver um elenco loteado à precisão científica entre gênero, sexualidade, raça, religião e background cultural, mesmo que a representatividade não faça sentido dentro do contexto histórico da obra. Como o BAFTA, o Oscar inglês, que sob suas novas regras de incentivo à diversidade, talvez acabe não indicando Dunkirk para melhor filme, devido à falta de melanina, uma medida que eu tenho certeza que o grande Brian Truitt aprova.


Se você lê em inglês, vale a pena conferir o artigo sobre o mesmo assunto do incomparável John Nolte, no Daily Wire, pois ele é capaz de expressar a maluquice desse tipo de pensamento de um jeito que eu jamais conseguirei.

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