A nada amigável recepção ao novo jogo da equipe por trás do Project M

Modo Noturno

Se você segue por alto a cena dos jogos de luta, você sabe o que é o Project M – um mod de Super Smash Bros. Brawl que busca trazer as técnicas avançadas e combate hiper-rápido de Super Smash Bros. Melee para o jogo de Wii. O mod é tido como um dos maiores feitos de uma comunidade de fãs na história, com a qualidade devendo pouco para as entradas oficiais da Nintendo. Constantemente atualizado, o Project M nutriu uma saudável vida em torneios até ser fechado pela própria equipe em 2015.

Na sua carta de despedida, a equipe cita que muitos de seus integrantes começaram um projeto totalmente original e não queriam dividir o foco entre ele e o PM. Assim nascia a apropriadamente chamada Wavedash e a promessa de um platform fighter (termo bonito pra clone de Smash) inédito para PC.

Os anos se passaram e, após uma rodada de investimentos que angariou mais de 6 milhões de dólares para o projeto, a Wavedash finalmente revelou o seu novo jogo durante a EVO 2017: Icons – Combat Arena, um platform fighter free-to-play, nas veias de Melee. Mas talvez nas veias demais, dada a recepção que o trailer recebeu.

À época desse artigo, o vídeo tem duas vezes mais dislikes do que likes no Youtube e a seção de comentários é um rio de críticas à apresentação e gameplay mostrados. Tudo passou por um pesado escrutínio – o design genérico e sem inspiração dos personagens (um problema geral da indústria de games ocidental, salvo raríssimas exceções), os efeitos sonoros sem graça, as animações engessadas e a quantidade impressionante de golpes e movimentos que o jogo parece ter copiado diretamente de Super Smash Bros. Melee.

Nem mesmo o título (considerado genérico demais) e o logo (similar ao de Overwatch) escaparam. Muitos fãs sentem que o que foi apresentado é um trabalho sem inspiração, não somente inacabado, mas mal direcionado. É claro que é difícil comparar algo novo com Smash, que faz uso dos personagens mais reconhecidos da história dos video games, mas o character design de Icons é realmente um novo nível de genérico, superando até outros exemplos infames como Battleborn, Paladins e Battlerite.

Há uma verdadeira falta de visão artística no projeto, que mais parece uma amálgama das decisões mais seguras que os desenvolvedores poderiam ter tomado, adicionada de uma legítima falta de talento para o desenvolvimento de games. O sentimento geral é o mesmo – “Project M acabou pra isso?”.

A Wavedash afirma que tudo mostrado é pré-alpha e será incessantemente polido antes do lançamento e ainda agradeceu as críticas, sem antagonizar os fãs, dizendo que levarão tudo em consideração. Mas nem todo o polimento do mundo é capaz de embelezar um bloco de cimento. Mais do que tempo e recursos, a Wavedash precisa seriamente de uma nova direção artística. Eles possuem o dinheiro pra isso, resta ver se estão dispostos a admitirem o erro e recomeçarem do zero.

Complexo
Criador do Loly.