Sound of a Flower: Só para fãs de Bae Suzy?

Modo Noturno

A verdade é que de 100 pessoas que assistirem The Sound of a Flower (도리화가), 90 destas terão chegado ao filme por causa da queridinha (momentânea) da Coréia: Bae Suzy. E isso é tanto bom quanto ruim…. bom pois garante a sobrevida do longa.. e ruim pois quem assistir o mesmo por acidente, pode achar o filme fraco. Assim como em todos os projetos que envolvem seu nome a expectativa é sempre dividida: Seus fãs não podem esperar para vê-la na tela, enquanto os demais desejam apenas um bom desempenho e Suzy tem sido inconsistente como atriz.

Apesar de basear-se na vida da primeira cantora coreana numa quase bio-pic, o filme em si não é um musical e isso conta positivamente para o desenvolvimento do mesmo. As partes com elementos musicais estão presentes mas tratando-se de um filme sobre uma personalidade da história coreana, há muito a ser explorado. Suzy interpreta o papel titular do filme, Jin Chae-seon. Ela tem um forte interesse em pansori, uma forma tradicional de canto gutural. Para Chae-seon, pansori é a pomada que alivia o fardo da vida, e ela quer compartilhar isso. Mesmo que na época trata-se de uma arte reservada apenas para os homens. O key-point do filme é justamente este, a primeira mulher coreana reconhecida pelos livros e pesquisas históricas, a desafiar as convenções de época e hierarquia e tornar-se uma cantora de pansori.

Passado na era da dinastia Joseon (1392–1910), longa faz um trabalho positivo em explicar o que é o pansori que em suma, consiste em um tipo de canto misturado com poemas e artes teatrais. Há tanto a necessidade de umavoz forte como também da habilidade em contracenar de forma marcante. Como adicional no elenco tem-se alguns nomes familiares como: Ryoo Seung-ryong, Lee Dong-hui e Song Sae-byuk.

As falhas do filme se resumem aos demais personagens que não a protagonista. Eles não possuem uma profundiade necessária e no mesmo nível que Chae-son, enquanto isto é positivo, pois deve-se focar na personagem título…um vazio aparece sem a presença da mesma. Os personagens têm longos intercâmbios de diálogos seguidos de previsíveis lágrimas uns com os outros, especialmente Suzy, que é espremida por uma quantidade esmagadora de monólogos sufocantes. Com o segundo ato começando a abrir caminho para o terceiro, esses momentos em que todo mundo começa a dizer algo e depois chorar, acabam por pesar o filme e seu tempo de execução.

No que o longa acerta é a fotografia e o figurino. O diretor Lee Jong-Pil e sua equipe apresentam panorâmicas esplêndidas… mas que constrastam com cenas indoor mal executadas. Como já escrito, o filme recebe um forte impulso de estética a partir de sua fotografia, que faz o máximo proveito da produção em conjuntos grandes. O filme consistentemente faz uso efetivo de vários movimentos de câmera. No meio da história, o filme decola em uma incrível one-shot durante uma seqüência em que Chae-son e seu professor e outros alunos escalam uma montanha, que segue os personagens em vários níveis, em muitos cantos e até mesmo na água. O movimento lento é muito utilizado, mas não é fora do padrão do mesmo usar um ou outro efeito de velocidade durante alguns momentos dramáticos.

Em adendo, Sound of a Flower, estabelece sua proeza ligeiramente sobre tons melodramáticos e através de dois de seus melhores componentes — sua beleza, e Bae Suzy. Quando ambos os componentes não estão empurrando seu poder de forma forçada, eles atingem sua marca. Bae é melhor quando ela está tentando se misturar com o ambiente e “inventando” com sua personagem, e a qualidade do filme é mais ressonante quando não é o mais óbvio linearmente.

Todos os personagens recebem suas histórias laterais melodramáticas. Isso dá a Sound of a Flower um determinadotamanho, especialmente como o filme explora uma quantidade considerável de temas que estão ligados nitidamente aos tempos da época em que se passa(maturidade, gênero, a sacralidade da juventude, respeito). Se não fosse a habilidade do roteiro de conectar todos esses aspectos em eventos centrais co-relacionados a Chae-son, o filme certamente explodiria em uma confusão gigante. O ponto crucial é que a atuação de Bae não é empolgante e indispensável (tal papel poderia ser feito por qualquer outra A-lister que teria o mesmo efeito) e ocasionalmente o filme busca refúgio em lágrimas exacerbadas, sempre para num instante seguinte, tentar retornar a sua trajetória normal, o que é evidência de um grave problema de execução.