D-Theater: Quando filmes em HD vinham em fitas VHS

Modo Noturno

Antes do advento da mídia digital, o mercado de eletrônicos era um faroeste, onde não importava a superioridade técnica, a qualquer momento podiam puxar o seu tapete de formato de mídia padrão. As gigantes do setor desenvolviam uma infinidade de diferentes formatos para o consumo e arquivamento de áudio e vídeo, sempre em busca do próximo grande hit e os anos e anos de fartos royalties que vinham com ele.

Um desses formatos mais interessantes – e obscuros – é o D-VHS. Lançado em 1998, ele vem numa fita idêntica à VHS comum, mas as informações são gravadas digitalmente e, dependendo do modo de gravação, é capaz de armazenar até 50 GB de informação. Desenvolvida em parceria pela JVC (criadora da VHS), Panasonic e Hitachi, o objetivo era oferecer uma alternativa ao DVD, que começava a decolar na época como a mídia padrão para o entretenimento caseiro.

As vantagens eram óbvias. O lançamento coincidia com a chegada de televisores HD ao mercado, no mesmo ano, vendidos a cerca de US$ 7.000 e produzidos por Sony e Panasonic. Era um mercado pequeno e de luxo, mas como o VHS já começava a mostrar sinais de declínio e o DVD não era capaz de carregar informações suficientes pra reproduzir filmes em 720p ou mais, o D-VHS parecia um passo óbvio.

Um videocassete D-VHS com D-Theater.

Assim como o Blu-Ray, cujos players também reproduziam DVD, os videocassetes de D-VHS também tocavam a VHS normal, garantindo uma transição fluida entre as duas mídias. O sinal em até 1080i era transmitido através de cabos vídeo-componentes. Havia um problema, no entanto. Os aparelhos desenvolvidos não possuíam um mecanismo de proteção de cópia, possibilitando que qualquer pessoa copiasse o conteúdo de uma fita para outra interligando dois videocassetes, o que afastou os grandes estúdios de lançarem filmes no formato, com medo da pirataria.

A embalagem padrão de filmes em D-Theater.

Finalmente em 2002, 4 anos depois do lançamento da tecnologia, a JVC lançou as fitas D-Theater. Enquanto ainda eram D-VHSs comuns, as fitas só rodavam em aparelhos com o logo D-Theater, produzidos pela JVC, que eram equipados com a proteção de cópia, deixando para trás as máquinas desenvolvidas pela Mitsubishi, até então a principal fabricante de videocassetes D-VHS.

Quatro estúdios de Hollywood lançaram filmes no formato – a 20th Century Fox, Artisan Entertainment, Dreamworks e Universal Pictures. As fitas vinham, em sua maioria, com som estéreo Dolby Surround, mas algumas contavam com som DTS 5.1 para home theaters. Enquanto a vantagem em qualidade era óbvia, a tecnologia mantinha os mesmos problemas das VHSs comuns – a necessidade de rebobinar, o alto custo e tendência dos videocassetes enguiçarem, já que continham uma cacetada de partes móveis em constante movimento.

Apesar de estar a frente do seu tempo, o formato não durou muito. O último filme lançado em D-Theater foi I, Robot com Will Smith em 2004. A Fox ainda chegou a anunciar o lançamento de Alien vs. Predador para a mesma data, mas as fitas nunca chegaram ao mercado, com a informação sendo retirada do site do estúdio. Até hoje, ninguém sabe se cópias foram realmente produzidas e enviadas às lojas.

Com o fim do D-Theater em 2004, o mercado ficaria sem uma alternativa para a reprodução de filmes em HD até 2006, quando a batalha entre o Blu-Ray e o HD-DVD começou pra valer. No total, 91 filmes foram lançados no formato.

Fitas virgens de D-VHS são usadas até hoje por entusiastas de arquivamento de vídeo.

Se você quer saber mais sobre D-Theater e ver as fitas HD em ação, o canal do youtube Techmoan fez um excelente apanhado da tecnologia (em inglês):

 

  • Anônimo

    Achei o que eu tanto Procurava!
    Sera que esse Aparelho chegou a ser comercializado no Brasil, o Alto custo me Deixou intrigado!
    Parabéns Pela Matéria..!